Importantes peças do acervo voltam a ser exibidas na chamada “Sala do Cofre”

O Museu de Arte Sacra de São Paulo, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, reabre a sala de exposições dedicada a salvaguarda de sua coleção de prataria e ourivesaria, fechada desde março de 2020 devido a pandemia de Covid-19. A mostra intitulada “Tradição e Liturgia” apresenta cerca de duzentos itens, entre eles ostensórios, resplendores, tocheiros, crucifixos, cálices, coroas, navetas e diversos objetos eclesiásticos.

Para a museóloga da instituição, Beatriz Cruz, desde os tempos antigos, os seres humanos buscam pelo divino e eterno. Independente do contexto histórico, no dizer do filósofo Mircea Eliade, sempre creem “que existe uma realidade absoluta, o sagrado, que transcende este mundo, mas que nele se manifesta e, por este fato, o santifica e o torna real”. Assim, de forma a se comunicar com o sagrado, os homens, ao longo da história, instituíram práticas rituais para as suas celebrações e confeccionaram objetos utilizando-se de metais como o ouro e a prata (considerados quase que sagrados e de uso restrito) para a sua elaboração. No altar, o centro do culto, estes objetos desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da liturgia e, seu uso fora deste ambiente restrito, sempre foi considerado uma profanação.

Nas igrejas e capelas particulares, tanto nas cidades como nas fazendas do interior, ou naquelas localizadas dentro de conventos e mosteiros, o requinte do trabalho de ourivesaria era o mesmo. A prata e o ouro não eram utilizados nos templos apenas como luxo e ostentação. Para os doadores, anônimos ou não, representavam ação de graças e de louvores. E, ao lado delas, com o empenho de fazer sempre o que fosse o melhor, o mais belo, o mais rico, existiram sempre as joias devocionais: peças de ourivesaria doadas pelos fiéis para o adorno de esculturas dos santos de devoção, em especial as representações marianas.

Assim,
nessa mostra, o que se pretende é dar a conhecer parte do rico repertório de
objetos utilizados no rito da missa. Alguns doados por anônimos. Outros por
personagens de nossa história como D. João V e D. Pedro I. E ao seu lado, a
justa homenagem àquele que por seu zelo e persistência, salvou da destruição
inúmeros objetos que hoje representam parte da produção de ourives e prateiros
paulistas e brasileiros: D. Duarte Leopoldo e Silva.


Tradição e Liturgia – A Coleção de Prataria e Ourivesaria do MAS-SP
Duração: Exposição de longa-duração sem prazo para encerramento.
Número de Obras: Mais de 200 itens.
Dimensões: Variadas
Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo | MAS
Endereço: Avenida Tiradentes, 676 – Luz, São Paulo

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