MÉTODO
O curso acontecerá no modo “Live Class” (aula online ao vivo), sendo as aulas gravadas. As gravações são disponibilizadas aos alunos três dias após cada aula ao vivo e ficam disponíveis durante todo o período do curso e por mais 15 dias após seu término. Depois disso, são automaticamente retiradas do sistema.
Objetivo Geral
– Analisar a evolução histórica e social do conceito e da percepção do tempo.
Objetivos Específicos
– Analisar o tempo da perspectiva do sagrado medieval.
– Compreender o processo de dessacralização do tempo na mentalidade medieval.
– Analisar o cotidiano das pessoas na Idade Média.
– Relacionar a evolução do conceito do tempo e da sua percepção ao surgimento da mentalidade burguesa.
– Analisar a importância da invenção do relógio mecânico para a mudança dos costumes.
– Compreender o tempo como categoria que expressa a dimensão espiritual e material dos seres.
Ementa
Este curso, em três encontros, propõe-se a analisar o tempo na Idade Média como categoria de compreensão do humano em sua vida em sociedade, ao mesmo tempo que a organiza e modela. A experiência do ser humano com o tempo surge, no início da Idade Média, da experiência das pessoas com a terra e com o Sagrado, como dádiva e espera, e gradativamente evolui para uma relação calcada pelo pensamento burguês que considera o tempo como capital a ser rentabilizado.
Programa
Análise das noções de tempo cíclico (Gregos) vs. linear (Hebraico-Cristão) e a influência de Platão e Aristóteles na visão medieval inicial.
Santo Agostinho e a Subjetividade do Tempo: Estudo aprofundado da teoria do tempo de Santo Agostinho nas Confissões, com foco na interioridade, memória e expectativa.
Tempo Litúrgico, Calendário e Ritmos da Vida Medieval: Exploração da importância do calendário cristão, das festividades religiosas e dos ritos no cotidiano e na percepção do tempo para o homem medieval.
Tempo e Trabalho: A Emergência da Noção de “Tempo do Mercador”: Análise das mudanças na percepção do tempo impulsionadas pelo desenvolvimento do comércio, das cidades e da necessidade de mensuração do tempo para fins econômicos.
A Eternidade e a Temporalidade na Escolástica: Discussão sobre como a filosofia escolástica (Tomás de Aquino, por exemplo) conciliava a noção de tempo criado com a eternidade divina, e as implicações para a vida terrena.
Estudo de como o tempo era visualizado e narrado em iluminuras, esculturas, catedrais e na literatura da época, refletindo as concepções teológicas e sociais.
A Concepção do Tempo na Antiguidade Clássica e a Transição para o Pensamento Medieval Cristão
Viver o tempo como linguagem de Deus no mundo – o tempo como realidade teológica;
A contagem do tempo numa sociedade medieval agrícola;
Tempo Litúrgico, Calendário e Ritmos da Vida Medieval
Do tempo eterno no cotidiano à dessacralização do tempo;
O nascimento e desenvolvimento da burguesia;
Tempo e Trabalho: A Emergência da Noção de “Tempo do Mercador”:
O tempo sagrado enfrenta o tempo da burguesia;
A invenção do relógio mecânico;
A Representação do Tempo na Arte e na Literatura Medieval
A História como “rerum gestarum narratium”;
O mundo após o Apocalipse que não veio;
O tempo eterno na óptica do um ser humano reformador: a invenção do purgatório.
O programa será cumprido de forma progressiva, no que respeita à progressão dos manuscritos favorecendo as produções que melhor interessem para a compreensão da cultura brasileira.
SOBRE O DOCENTE
O Prof. Dr. José Luís Landeira é professor do Museu de Arte Sacra de São Paulo, formado em Línguas e Literaturas Neolatinas pela Universidade de Coimbra, mestre em Filologia e Língua Portuguesa (USP) e doutor em Linguagem e Educação (USP), é pós doutor em “Materialidades da Literatura” pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Sua pesquisa incide sobre as relações entre a Idade Média e a Contemporaneidade; a Linguagem Artística e a Transcendência.
PÚBLICO ALVO/ ESCOLARIDADE
O conteúdo oferece embasamento para estudantes de Artes, História, Letras, Filosofia e interessados em geral dispostos a investigar o imaginário e cultura associados à imagem de Satanás, inclusive, na sua interface com a a arte, a literatura, a religião, a filosofia e a cultura medieval e contemporânea.
Período: 10, 17 e 24 de setembro (quartas-feiras)
Horário: Das 17 às 19 horas
Valor: R$ 125,00
Carga horária: 6h
Inscrições: cursos@museuartesacra.org.br
Informações: (11) 3322-5393
Whatsapp: +55 (11) 99144-3223
CERTIFICADO ENVIADO POR E-MAIL
As aulas serão ministradas online na plataforma Teams.
BIBLIOGRAFIA
Eco, Umberto. Arte e Beleza na Estética Medieval. Tradução de Marco Lucian e Antônio Angonese. Rio de Janeiro: Record, 2004.
Eliade, Mircea. O Mito do Eterno Retorno: Formas e Simbolismo do Tempo no Pensamento Primitivo e nas Religiões Orientais. Tradução de Manuela Torres. São Paulo: Paulus, 2017.
Gilson, Étienne. A Filosofia na Idade Média. Tradução de Eduardo Sucupira Filho. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
Gurevich, Aron Iakovlevich. As Categorias da Cultura Medieval. Tradução de Adília Maria Pires. Lisboa: Caminho, 1990.
Hill, Jonathan. História do Cristianismo. São Paulo: Rosari, 2007.
Le Goff, Jacques. Para uma Outra Idade Média: Tempo, Trabalho e Cultura no Ocidente. Tradução de Bernardo Leitão. Lisboa: Estampa, 1984.
_____________. O Homem Medieval. Tradução de Henrique Luís. Lisboa: Presença, 1990.
Vauchez, André. A Espiritualidade do Ocidente Medieval (séculos VIII-XIII). Tradução de Álvaro Cabral. Lisboa: Estampa, 1990.