Método
presencial

OBJETIVO GERAL
O curso tem como objetivo analisar a República Velha (1889–1930) a partir das relações entre arte, cultura, política, urbanismo, ciência, sociabilidade e construção simbólica da nação brasileira. A proposta parte da compreensão de que a modernização republicana não foi apenas um projeto econômico e institucional, mas também um vasto projeto cultural e visual, profundamente marcado pelo higienismo, pelo racismo científico, pela eugenia e pela tentativa de construção de uma identidade nacional associada aos ideais de progresso, civilização e embranquecimento da população. Ao longo das aulas, serão investigadas as formas pelas quais a arte, a arquitetura, a literatura, a música, o teatro, a fotografia, a imprensa ilustrada e os discursos científicos participaram da elaboração de uma visão oficial do Brasil moderno, frequentemente baseada no silenciamento ou na idealização das populações negras, indígenas, sertanejas, operárias e imigrantes pobres. O curso também propõe compreender como esses grupos subalternizados sobreviveram culturalmente dentro desse projeto de modernidade excludente, preservando tradições, religiosidades, linguagens e formas de sociabilidade frequentemente marginalizadas pelas elites republicanas. Nesse contexto, serão discutidas as tensões entre tradição e progresso, misticismo e racionalidade científica, litoral e sertão, civilização e barbárie, bem como a construção dos “grandes heróis nacionais” em contraste com os sujeitos historicamente invisibilizados.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
– Compreender a formação da cultura urbana brasileira entre 1889 e 1930.
– Analisar o papel da arte e da cultura na construção simbólica da República.
– Investigar como o higienismo, o eugenismo e o racismo científico influenciaram políticas públicas, projetos urbanos e representações sociais.
– Discutir o ideal de embranquecimento da população brasileira e suas relações com imigração, educação, medicina e cultura visual.
– Examinar como negros, indígenas, trabalhadores urbanos, sertanejos e imigrantes foram silenciados, marginalizados ou idealizados pela cultura oficial republicana.
– Entender as tensões entre tradição popular, religiosidade, misticismo e os discursos de progresso e racionalidade científica.
– Refletir sobre o academicismo artístico e suas relações com a construção de uma imagem idealizada da nação.
– Analisar o modernismo e a Semana de 1922 como tentativa de criação de uma identidade cultural brasileira, inclusive por meio da incorporação de elementos populares e marginalizados, ainda que conduzida por setores das elites intelectuais.
– Estudar a cultura operária, as greves, os movimentos sociais e o papel do imigrante como sujeito subalternizado na modernização brasileira.
– Relacionar arte, arquitetura, urbanismo, literatura, fotografia, música e política na constituição do imaginário republicano.

CONTEÚDO
05 de agosto de 2026
AULA 1 – A República como projeto simbólico: poder, positivismo e invenção da nação moderna
A crise do Segundo Reinado e a proclamação da República como ruptura política conduzida pelos militares e pelas elites civis. A “República da Espada” e a construção do novo imaginário republicano. Positivismo, ordem, progresso e racionalidade científica como fundamentos simbólicos do novo regime. A criação dos novos heróis nacionais e a construção visual da República. O papel das imagens oficiais, caricaturas, monumentos, bandeiras e alegorias patrióticas na invenção de uma identidade nacional moderna. A exclusão das populações negras e populares do imaginário republicano oficial. Benjamin Constant, Rui Barbosa e Quintino Bocaiúva. Gravuras da Proclamação, caricaturas da Revista O Malho, fotografias oficiais e iconografia republicana.

12 de agosto de 2026
AULA 2 – Higienismo, Eugenia e o projeto de embranquecimento da sociedade brasileira
O racismo científico no final do século XIX e início do XX. A circulação internacional das teorias eugenistas e sua adaptação às necessidades das elites republicanas brasileiras. O ideal de “civilização” associado ao embranquecimento da população. Medicina social, higiene urbana e disciplinarização dos corpos. Escolas, quartéis, hospitais e prisões como instrumentos de controle social. As políticas de imigração europeia e a marginalização das culturas negras e populares. Nina Rodrigues, Renato Kehl, João Batista de Lacerda e Miguel Couto. O medo das epidemias, das revoltas populares e da “degeneração racial”. A presença do discurso eugenista nas artes, na fotografia, na educação e na imprensa ilustrada.

19 de agosto de 2026
AULA 3 – Modernidade urbana e exclusão social: reformas, demolições e controle dos corpos
As reformas urbanas da Primeira República como expressão estética e política do ideal civilizatório republicano. O “Bota-Abaixo” de Pereira Passos no Rio de Janeiro e as remoções das populações pobres do centro urbano. A influência da Belle Époque francesa sobre a arquitetura e o urbanismo brasileiros. A abertura da Avenida Central e a construção de uma cidade pensada para as elites. Higienismo, policiamento e segregação espacial. A modernização de São Paulo ligada ao café, à imigração e à industrialização. A construção de Belo Horizonte como cidade-modelo republicana. Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Theatro Municipal de São Paulo, Estação da Luz, Palácio Monroe e palacetes da elite cafeeira como símbolos do poder oligárquico e do desejo de “europeização” do país.

26 de agosto de 2026
AULA 4 – Progresso, indústria e espetáculo da modernidade
A industrialização nascente e a crença no progresso técnico como símbolo da modernidade republicana. O telefone, a eletricidade, os bondes elétricos, o automóvel e a aviação como imagens do futuro. Santos Dumont e a criação do herói moderno nacional. As exposições nacionais e internacionais como vitrines do progresso e da civilização brasileira. A Exposição Nacional de 1908 e as comemorações do Centenário da Independência em 1922. A relação entre tecnologia, nacionalismo e cultura visual. O contraste entre os espetáculos do progresso e a precariedade social das populações urbanas e rurais.

02 de setembro de 2026
AULA 5 – Belle Époque tropical: luxo, sociabilidade e distinção das elites republicanas
A cultura das elites urbanas e o modelo francês de refinamento social. Moda, etiqueta, consumo e distinção simbólica. Salões, clubes, cafés, confeitarias e teatros como espaços de legitimação social. O corpo feminino, moralidade e controle social. A imprensa ilustrada e a invenção da “sociedade elegante”. João do Rio e a observação crítica da vida urbana. A construção de uma cultura cosmopolita baseada na negação das culturas populares e afro-brasileiras. Revistas Fon-Fon!, Careta e O Malho. Fotografias de Augusto Malta e cartões-postais da Avenida Central.

09 de setembro de 2026
AULA 6 – Colecionismo, museus e a construção do gosto civilizado
O colecionismo artístico e científico como prática de poder e distinção social durante a Primeira República. A importação de arte europeia e a criação de um ideal cultural associado ao refinamento francês. As coleções privadas das elites cafeeiras e industriais. A formação dos primeiros grandes museus públicos brasileiros e sua relação com o projeto republicano de civilização. Museus, ciência e construção da memória nacional. O apagamento das culturas populares e afro-brasileiras nos acervos oficiais. Paulo Prado, família Guinle, Matarazzo e Silva Prado. O papel do Museu Nacional, Museu Paulista e Pinacoteca na formação do imaginário republicano.

METODOLOGIA
O curso propõe uma abordagem interdisciplinar, articulando História da Arte, História Cultural, Sociologia, Antropologia, Urbanismo, Literatura, Ciência Política e Teoria da Cultura. As aulas serão acompanhadas por análise de imagens, pinturas, fotografias, caricaturas, filmes, mapas urbanos, músicas, textos literários, documentos políticos e materiais da imprensa ilustrada da época.

A QUEM SE DESTINA
O curso destina-se a pesquisadores, estudantes, professores, profissionais das áreas de História, Arte, Sociologia, Antropologia, Arquitetura, Urbanismo, Comunicação, Literatura e Educação, além de interessados em compreender criticamente a formação cultural e simbólica da sociedade brasileira na Primeira República.

PROFESSOR
Marcos Horácio Gomes Dias
é Doutor em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Mestre em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e Pós-graduado em Arte e Cultura Barroca pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Também é graduado em Ciências Sociais pela USP e licenciado em História, além de possuir especialização em Produção de Material Didático.
Atua como professor universitário, pesquisador e produtor de material didático, além de ser um colaborador constante do Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS). Seu trabalho abrange museus, instituições culturais, universidades e programas de formação para empresários e CEOs. Desenvolve projetos de pesquisa, cursos presenciais e online, com ênfase na leitura crítica e revisão de conteúdos educacionais. Além de sua atuação no Brasil, já ministrou aulas em Portugal e na Itália.
Com ampla experiência nas áreas de Educação, História, Sociologia, Antropologia e Arte, foi reconhecido em 2015 como o melhor professor de Comunicação Social da Região Sudeste pela IMPRENSA Editorial. Sua trajetória acadêmica e profissional está voltada para o estudo e ensino da Sociologia; Teoria da Cultura, Arte e Linguagem; Teoria da Comunicação; História da Produção da Imagem; História da Arte; História do Barroco e Rococó; Neoclassicismo; Império e Século XIX no Brasil; bem como História da América, Portugal e Itália.

06 dias de aulas
Datas: 05, 12, 19, 26 de agosto, 02 e 09 de setembro de 2026 (quartas-feiras)
Horário: 19h00 às 21h30 (intervalo para o café)
Carga horária: 09 horas
Valor: R$ 400,00 à vista
Inscrições: cursos@museuartesacra.org.br
Informações:  (11) 99144-3223 (somente mensagens)
Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo
Endereço: Avenida Tiradentes, 676, Luz. Metrô Tiradentes.
Estacionamento gratuito: Rua Jorge Miranda, 43
Certificado entregue ao final do curso.

BIBLIOGRAFIA:
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